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quarta-feira, 2 de março de 2011

Cabanada 1832 - 1835

A Cabanada foi uma das primeiras rebeliões ocorridas no Brasil no período regencial, de duração significativa, entre 1832 e 1835, abrangendo regiões das províncias de Pernambuco e de Alagoas. No entanto é um movimento pouco retratado nos livros didáticos e, portanto desconhecido da maioria, provavelmente por ter características peculiares, eventualmente opostas à da maioria dos movimentos da época.
Ao contrário dos principais movimentos que ocorreram em Pernambuco e que deram a província uma marca de “mais avançada”, a rebelião teve caráter conservador, pois defendia o retorno de D. Pedro I ao Brasil.
Desenrolou-se na zona da mata e no agreste povoada por sertanejos ou mestiços de branco e índio, por escravos negros e por fazendeiros e senhores de engenhos de açúcar que formavam a elite local, dominando e controlando os grupos populares. Esse é um dos fatores explicativos da postura política do movimento, na medida em que essa elite agrária apoiou os movimentos que exigiram a renúncia de D. Pedro I, ao contrário da elite urbana do Recife, formada principalmente por mercadores de origem portuguesa partidários do imperador.
Na medida em que as camadas populares percebiam os grandes proprietários como responsáveis pela situação de pobreza e miséria, se colocavam contra as posições políticas dos mesmos, instigados por aqueles que haviam perdido privilégios com o fim do Primeiro Reinado.
Liderados por Vicente Ferreira de Paulo, cerca de mil homens se reuniam na região denominada Panelas de Miranda, porém, de início, sem qualquer objetivo político definido, limitando-se apenas a viver de saques às fazendas e da pilhagem. Em contrapartida, os proprietários recorrem aos novos governantes da Província para manter a ordem tradicional. Um conflito que nasceu da pobreza passou a ter conotação política, na medida em que os populares se organizaram para resistir a repressão.
Assim, no final julho 1832, na região de Passo, D.Pedro I foi proclamado Imperador do Brasil, fazendo com que o problema criado tomasse maior vulto, forçando o governo a enviar tropas para a região, para reprimir o movimento considerado restaurador.
Depois de quase quatro anos de luta, chegou a Panelas o Bispo D. João Marques Perdigão, com o objetivo de pacificar a região. O Bispo obteve a rendição dos sublevados com a condição de serem anistiados, pondo fim a “Guerra dos Cabanos". Além disso, obteve da Assembléia Provincial de Pernambuco ajuda material aos cabanos, como instrumentos de trabalho, remédios e roupas. Dessa maneira os índios retornaram a suas aldeias, assim como os lavradores retomaram seus trabalhos na antiga estrutura fundiária, porém aos negros só restaria a volta ao cativeiro, situação que o obriga a se manter no interior isolado, em pequenos quilombos. Nesse contexto é que se organizou a Guarda Negra, que persegue os desertores, responsáveis pela fraqueza do movimento, e promove assaltos as fazendas, para saqueá-las e promover a libertação de escravos. Essa situação de belicosidade no interior de Pernambuco prolongou-se até 1850, quando da promulgação da Lei de Terras que possibilitou a expansão do latifúndio e devido a prisão de Vicente Ferreira de Paula.
Na serra dos Timóteos, no Sítio Cafundó e em vários outros lugares ainda se encontra muito material de guerra da época, abandonado ao termo da campanha”. 
Posted By: Mais Pernambuco

Cabanada 1832 - 1835

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